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Ir.'.
José Liberano |
Foi
no início de uma noite fria e límpida de julho, a lua
cheia apontando no horizonte de Vassouras, que pudemos concretizar
uma das tarefas mais difíceis a serem executadas até agora
por este site. A missão era uma entrevista, objetivando compor
uma matéria em homenagem ao Ir.'. mais antigo da Loja, o que
poderia ter um resultado frustrante, diante do ineditismo da tarefa
e das expectativas que a iniciativa gerou.
Munidos de um questionário, e algumas idéias como acessório, partimos para a missão. O entrevistado, Ir.’. José Liberano, nos recebeu de forma tão calorosa em sua residência, que desde o início pudemos perceber que o frio da noite iria ficar lá fora. A acolhedora recepção do entrevistado alimentou, por algumas horas, um relato que nos remeteu a vários desdobramentos e, graças à sua intensa participação, pudemos fazer a matéria tranquilamente, num agradável bate-papo recheado com fotos, diplomas, objetos e documentos cuidadosamente guardados que traduzem de maneira fiel, o zelo e o carinho do Ir.'. para com as coisas da Maçonaria e que relembram alguns dos momentos mais importantes vividos pelo homenageado. |
Nascido
em Porto Novo do Cunha, MG, em 08/10/1916, o Ir.’. Liberano é o
primogênito de uma família de quatro irmãos.
Passou a infância em sua cidade natal, e uma de suas recordações
mais vívidas é de que, próximo ao lugar onde
costumava brincar, havia uma Loja Maçônica que lhe despertava,
desde então, certa curiosidade.
O Ir.’. Liberano iniciou sua vida profissional trabalhando na instalação de linhas da rede de telefonia da então Cia. Telefônica do Rio de Janeiro. Saiu de sua terra natal aos 21 anos, para exercer aquela atividade em Barra Mansa, município da região Sul-fluminense. Sua competente atuação lhe valeu diversas missões por vários municípios do sudeste, tais como Araxá e Uberaba no interior mineiro e Itaperuna e Porto do Cunha no interior do estado do Rio de Janeiro. A forma brilhante como executou cada uma de suas missões proporcionou-lhe a nomeação como Encarregado da Seção de Construção da Companhia Telefônica do Estado do Rio de Janeiro. Nesta última cidade, veio a conhecer sua futura esposa, D. Deuslyra, com quem casou-se em 1947, e transferiu-se imediatamente para Vassouras, vindo a residir à Rua Maria Gomes, no bairro do Madruga. É desta época que lhe vem mais uma de suas recordações peculiares. O Ir.’. lembra com muito humor e um brilho especial no olhar, o fato de que o meio de transporte, utilizado pelo casal entre a estação de trem e sua residência, foi uma charrete, uma vez que apenas 2 automóveis de praça atendiam a toda a cidade. Da Companhia Telefônica, além de colher uma carreira brilhante, também marcou-lhe outro fato que o acompanharia pelo resto de sua vida - a ligação estreita que doravante teria com a Maçonaria. |
Ir.'.
José Liberano, com alfaia de V.'.M.'. da Loja Cultura de Vassouras
(1986)
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Indicado
para ingressar na Ordem pelo então Chefe Comercial de Equipamentos
da Companhia Telefônica do Estado do Rio de Janeiro, Sr. Sílvio
Martins, - homem de grande integridade e valor, a quem muito admirava
e um grande amigo - uma vez iniciado na Ordem, dela jamais afastou-se. |
As
fotos a seguir são da Sessão Magna de Iniciação
ocorrida em 22/06/1974
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José Ribamar, (?), (?), Laert Élcio Fonseca, Francisco João, Nilson, (?) |
(?)
, (?), José Liberano,
Luiz de Casali, Fernando Rocha, Élzio, Mário Branco |
| Roberto Mancusi, Antonio José da Silva Martins, Jorge Carlos Pereira, Álvaro Fernandes Souza, Newton dos Passos Alves |
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Jorge Pereira, (?) |
José Liberano, Luiz de Casali, Vicente Roberto da Cruz Leal, Gualdo Feldhaus |
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Adauto de Souza Telles, Adail Leal de Serpa Pinto, William Liberano, Alexandre Leal de Serpa Pinto, Julio Hofacker |
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William Liberano, Adail, Joaquim (Ven.'.M.'.da Loja José Bonifácio), ? |
José Liberano, Jorge Pereira |
O
Ir.’ Liberano compõe como 1º Vigilante, a chapa
eleita para o biênio 1975/1977.
Em 1976, iniciam-se as conversações para a aquisição de um terreno para construção da futura sede da Loja. Esta idéia transformou-se numa obsessão entre os poucos obreiros da Loja, e a idéia ia ganhando mais força e não se falava em outra coisa. Poucos, talvez não passasse de meia dúzia, o número de obreiros em condições de arcar com outros compromissos financeiros, além dos encargos que já lhes cabiam. A idéia inicial era adquirir um terreno onde seria instalado o “Clube das Acácias” ou “Acácia Clube”. Este ímpeto e arrojo brindaram a Loja com o anúncio feito pelo Venerável da época, Dr. Mário Branco, com um convite aos IIr.’. para visitarem o terreno adquirido pelo Acácia Clube, onde seria construído o Templo da Loja. Animados com a notícia, os IIr.’. promoveram uma grandiosa festa junina, no pátio do Colégio Raul Fernandes, que contou com a participação de praticamente todos os obreiros da Loja. As barracas foram armadas pela equipe de empregados do Ir.’. Liberano. Entretanto, as dificuldades continuavam, mas não eram suficientes para desanimar esses valorosos maçons. Quanto maiores as dificuldades, maior era a determinação desses irmãos. Os IIr.’. João Batista Werneck, Élzio Ramalho, José Liberano e Mário Branco, contraíram empréstimo bancário, no valor de Cr$ 429.000,00, cada um, e o doaram à Loja. Não seria essa a primeira vez, nem seria a última, que esses beneméritos irmãos dariam demonstração de notável desprendimento para com a Loja Cultura de Vassouras e para com a Maçonaria. A empresa Tele-Redes e Comunicações, cujo sócio gerente era o Ir.’. José Liberano, fez uma doação de Cr$ 15.000,00 para as obras de construção do Templo. Foi assim que o dia 1º de maio de 1980, dia do Trabalho, passou para a história da Loja Maçônica Cultura de Vassouras, como o marco inicial da construção da sede própria e de seu Templo, cuja sagração veio a ocorrer em 29 de junho de 1981. |
Desenho
em Perspectiva da Loja Maçônica Cultura de Vassouras
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Canteiro
de Obras
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As
fotos a seguir são da Sessão Magna de Comemoração
da Semana da Pátria (1986)
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| O Ir.’. José Liberano foi o terceiro Venerável Instalado na Loja Cultura de Vassouras, tendo sua primeira administração ocorrida no biênio 1983/1985. Ficou à frente da Loja também pelo período de 1985/1987. |
Neste
momento, acreditamos ser importante uma reflexão sobre tudo
que foi brevemente relatado aqui, e que por força da concisão,
não traduz metade do que foi o esforço e dedicação
desses homens corajosos, aos quais homenageamos através da
figura do nosso querido Ir.’. José Liberano. Muitas
vezes, lemos os livros, e deparamo-nos com personagens famosos, reconhecidamente
maçons, vários deles participando de momentos de heroísmo
ou de bravura, muitos deles tendo doado até a própria
vida, como mártires de movimentos históricos e que
alteraram para sempre os destinos de suas nações e
consequentemente da História. Esses heróis, são,
sem dúvida alguma, motivo de muito orgulho para a Ordem, e
sua determinação, exemplo de emulação
por todos os maçons.
Mas, os livros de História, infelizmente, não contam toda a história, até porque seria impossível relatar passo a passo, dia a dia, tudo que aconteceu através dos séculos e milênios, em todos os lugares do planeta. Sendo assim, uma parte preciosa desta história a que nos referimos aqui, particularmente importante para os maçons vassourenses, está para sempre gravada nos arquivos da Loja Cultura de Vassouras. Nossos heróis não travaram batalhas campais e, felizmente, não precisaram ser alçados à condição de mártires, mas sua perseverança, entusiasmo e união em torno da causa maçônica nos deixa a certeza de que, guardadas as devidas proporções, sabemos que tivemos e temos verdadeiros gigantes em nossa Loja, homens que brilharam nas situações mais difíceis, na árdua tarefa de concretizar os ideais fraternos de um mundo mais justo e dotado de igualdade. Destarte, a Loja Cultura de Vassouras, a exemplo de diversas outras ocasiões, presta uma vez mais este reconhecimento e homenagem a esses IIr.’. , sintetizados aqui na pessoa do nosso Ir.'. José Liberano, obreiro mais antigo e em atividade da Loja, desta vez utilizando-se do recurso que é este site, o qual possibilitará o acesso à informação para todos que assim desejarem. Dessa forma, fica a trajetória do Ir.'. Liberano perpetuada e desejamos que venha servir às futuras gerações de maçons como um extraordinário exemplo a ser seguido. |
AGRADECIMENTOS
(2) Aos IIr.'. Joel Venturini e Antônio Martins (este último, post-mortem) cujo valioso levantamento das atas da Loja são de notável e fundamental valia, sendo sempre fonte de referência para que possamos contar a história da mesma. (3) Ao Ir.'. José Liberano que cedeu as fotos publicadas nesta matéria |